domingo, 26 de junho de 2011

SOS Mulher II

RENATA BEIRO




Procura-me uma mulher
Sinto querer a cura
Roxo vejo nos olhos
Quero, desejo ir prá Abrolhos
Ela nada diz
Cala
Anda, criatura, fala
Acanhada vejo que está rasgada
Tanto por dentro, quanto por fora
Chora, de um lancinante choro
Usada e abusada
O agressor
De ser bom marido
Esqueceu
Ela e duas crias
Um guri, uma guria
Foi neles em quem bateu
Palavras envergonhadas
Murmura ela baixinho
A maldade não foi só comigo
Esses dois que comigo abrigo
Já sofreram
Pelas mãos do pai
Incestos e estupros
Quero um salvo conduto
Misturando dever e querer
Aos três vou dar abrigo
O tempo vai correr
Meu aconchego é apoio
Prá dizimada família
Encaminho a infeliz
Há um lugar seguro
Prá onde só as mulheres vão
Persigo, então, o macho
O marido de pouca centelha
Usando o que me ensinou
A Maria
Aquela, da Penha!


sábado, 25 de junho de 2011

DITADURA NUNCA MAIS!






RENATA BEIRO

E

HENRIQUE RUSCITTI













Lutei, não foi em vão
Sou redemocratização
Fui torturado
Vi mortos e enjaulados
Cuspi na cara do militar burguês
Quase sem vida, pisoteei
Meus companheiros
Não entreguei
Já não sentia o corpo
Mas uma voz
A voz de Deus
Fariseu, seja forte como fui eu
A tudo resisti
E entre choques humilhantes
Não estava mais em mim
Mas no socialismo para que vim
Aí que percebi
Ahsverus estava ali
Marcante
Devaneio constante
Viu o que sofri
Tanta maldade e covardia
Só por querer democracia
Sem voz e sem perdão
Já estirado no chão
Com uma arma na mão
O covarde me libertou
Talvez ciente da sanção
De eternamente eu levar
Consciente ou inconsciente
Tudo a que me submeteram
Para as profundezas do subconsciente
Tirania que se faz presente
Ainda hoje, quando me sinto ausente...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

CAMINHOS...

RENATA BEIRO
(24/06/11)





Nas aflições das despedidas
Se um dia eu perecer
Cravados em meu peito
Ficariam os meus amores
Sangria, a minha dor


Lembranças de um passado
Amor crucificado
Tão cedo me deixou
Na estrada da vida caminho
De ti, sempre vou lembrar
Carinhos, parecia amor em ninho
Doces lembranças
Amor crucificado
Em goles homéricos
Tento o tempo acelerar
Para o mesmo não me castigar
Pudesse te trazer de volta
A nenhuma revolução
Daria satisfação
Seríamos novamente juntinhos
Agarradinhos...
Maritacas em tardes de verão
Sei que me esperas
E me quer ver feliz
Quase impossível
Não tenho mais raiz
Eras tão terno
Meu amor eterno
Vagando, espero
Um dia te reencontar...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

ENTREGA...

RENATA BEIRO e PAULO CARVALHO

Tanto amor, tanto fogo se revela

Vontades reprimidas, seus olhos verdes

maldosos, de soslaio, me liberam...

Cedo? Nada...

Estás no certo

És menina, és mulher

Me queres!

Percebo tua vontade...



Calor é o fogo que deve

e vai ser debelado!

De fato e no ato!

"Carinardente" contato...

Te entregas a mim

como gente...

E sente

Num fervente repente...

Eu sou teu homem

Minha mulher...


AO VENTO...

RENATA BEIRO E PAULO CARVALHO




Quisera ser como o vento,
Num determinado momento,
Te encontrar desatenta,
Falar do meu sentimento...
Amigos nós somos
Amantes, seremos?
O que nos revela esse instante
Que pensamento frustrante...
Fala!!!
Quisera eu...
Te transportar pr'outro tempo
Sandices te revelar...
Num sonho, transformar...
Minha “gueixa”, nunca triste...
Te levar prás Filipinas
Banho, nus, ao anoitecer
E absinto, com muito prazer!
Acender velas!
Escorrer...
Por tuas costas
Tomar, te possuir...
a preciocidade de um RUBI...
Ahhh...
Vaguíssimo suspiro...
Luxo, gostoso,
pecaminoso...
Querer, mais e mais, te possuir...
Perder os sentidos, nem te ouvir...
Boca, seios, pernas...ah!
Segurar com força esse dorso
Nos cabelos, enrolar minhas mãos
Te tragar e amar
Qual força de garanhão...!
Já és picante...
És amante!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

FAKE?

RENATA BEIRO e DANIEL B. BENDJOUYA



Não! Eu não queria desse jeito
Que "os amigos do peito" São os que, não tem jeito...
Nada é, realmente, perfeito...
só existem no virtual
vivos lá no portal...
Mouse, House
Alguém clamou VERDADE, REALIDADE!
Eu também!
Toco em carne que é de ninguém!
Quem?
Break
Make
Cake
That's fake?

terça-feira, 21 de junho de 2011

DESPEDIDA...

RENATA BEIRO
(21/06/11)


Dentre a alegria mais pura
De beijos de despedida,
Ria, numa névoa escura,
A mais horrenda figura...
Vem! Vem!
Quase embarquei, por um triz!
A tentadora proposta,
Do homem que me sempre quis...

15 h...
Entro em casa feito miss...
Trim, telefone toca...
Alguma coisa me diz,
Não é notícia feliz...
Foi nada, só um acidente...
Por dentro, uma torrente,
Pálida, vi quem ria...
De mim e de minha cria...
A morte! Esta infeliz,
Levou com ela pra sempre
O homem que eu tanto quis...



AMOR ESCONDIDO!

AMOR ESCONDIDO
Renata Beiro e Paulo Carvalho

Um amor escondido
Que me custa e é arredio
Vive dentro do meu coração
Metade minha
Metade ilusão
Perto dele, sou menina
Mulher e criança, alusão
De mulher...
Apaixonada então.
Amor contido, escondido
Caro e arredio
Fez morada no meu coração, ilusão?
Quem sabe ou não...
Ele me faz criança-menina,
alusão de mulher é o sentimento...
Que tormento, em vão, meu bem...
Meu sentimento é o teu me querer
Iguais!
Somos mais...
Vejo-te no cais...
Menino...
Sentir no "ar"...
Prá quê?
Tu és meu par...
Apaixonados, no mar, no solo, no ar...
Mergulhemos, então,
Nessa louca paixão!
Tensão, prá que mais?
Já sabemos um do outro
Sexo, não é ouro dele
Se fez AMOR
Mesmo que distante...
Tua mão "errante" e bela
escorre por minha pele
num ato de espera,
Rebenta todas as lapelas
Me amas na paz
Do cais...

domingo, 19 de junho de 2011

PRIMEIRA BRIGA!

Imotivadas dúvidas me perseguem,

Ela, a inevitável, vem,

a rusga, primeira rinha...

Mentira que

"Amar é jamais ter que pedir perdão!"



Sou gente! As respostas vem

impulsivas e quentes...

Não me retraio, senão me traio!

Ninguém é perfeito, aposto!

Peço perdão a quem gosto!

Peço perdão a mim, a ti

sem medo, nem tropeço

Qual! Fico com o Johnn,

aquele Lennon

"Amar é pedir perdão(de 15 em 15 min)!"



Renata Beiro

sábado, 18 de junho de 2011

SOS MULHER!!!








Manhã
Meu bem esparramado na cama
Café passado
Vem, está quente!
Ele tem razão
está fervente...
São só dois dentes
Ele tem razão...
À noite, cabaleante
Me toma o corpo cansado
Indecente, me chama
Isso é coisa de vadia!
Meu olho inchado é
só mais uma avaria
Ele tem razão
Manhã
Pego o pão
Café? Não!
Nem o pão!!!!
Mas está quentinho e bom...
O alvoroço
Sinto no dorso
O facão...Não!!!
Mas ele tem razão...
Meu amor, meu coração,
Fala comigo!!!
Sou só um corpo no chão...



Renata Beiro

sexta-feira, 17 de junho de 2011

AMO!


Renata Beiro e Paulo Carvalho

14/06/2011 = 17h39



Eu, crua, nua
Na cruz (da rua)
Quem seduz?
Entrego a alma
e o corpo nu, reluz!
anseio teu mel,
teu leite, tudo!
No exato ato da paixão
Realizado desejo...
Jogo a cabeça no tronco sua
Insaciável, quero mais...
Quando? No carnaval, natal?
qualquer dia tal?
Me entrego, no mais sincero
e afoito dos pensamentos,
Amanhã, no quintal?
Mas nunca, nunca
trivial, carnal
Minha alma é devassa
Meu corpo é proscrito
Te pertenço
Me submeto
Sensual
Faça de mim
Cobiça
Estopim...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

BRASEIRO

Renata Beiro e Paulo Carvalho






Comigo não há
Só existo com ela
Conosco... Será?
Perdida no emaranhado
Em que me deixaste...
Do leito amante
Faço meu jazigo...
E ali fico...
O sangue quente esperando
Enquanto me esvaio em mel e leite...
É amor... Ou estou doente?
Doente de um mal
Que não sei o final
É um querer mais e muito mais
Apressa-te, pois
A fria laje, envolta nas garras perversas
Do ciúme
Corrói meu corpo amiúde!
Seu rosto minhas mãos desencadeiam em mim
Uma sensação de bem estar...
Respiro fundo e tento não me apressar
Nosso beijo dispara nossos corações
Tentamos nos conter
Mas é mais forte o nosso amor
Nosso fogo, nosso calor...
Nada nós contém, somos tesão
Somos ciúme, torpor
Temos química
Alquimia
Eletricidade
Sexualidade
Te levo ao extremo
Me levo ao mais alto ato.
Estamos em efusão
A química que nos atrai
O cheiro
O beijo francês
Que trocamos
Nossos leite e mel
Nunca nos cansaremos
Dentro de você, encontro
Um braseiro
Um desespero.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

DESATO TEUS NÓS!

Renata Beiro e Paulo Carvalho

Paulo, amigo e parceiro na construção dos pensamentos convergentes!


Deslizo meus dedos
Tua carne
Me encanto
É quase um canto!
Inorganicamente
Murmuro
coisas que não penso...
Te ato
Desato
Os nós
Somos nós
Desvarios
O ato
Suave
Crucial
Te amo
Como animal!
Meu corpo furtaste
Segredos guardados, agregados,
Roubados...
Adonou-se do tudo,
Minha mente!
Tens-me, sinceramente...
Até o escondido indecente
Agora "descente" pelos quadris...
Fantasias minhas,
São tuas alegorias...
Me roubaste prá ti...
Freneticamente
Ferozmente
Do ato suave
Torna-se
Forte
Gutural
Seus seios
Suas curvas
Teu
Agora é meu
Usufruímos
Nossos prazeres
Com todo coração
E emoção.

terça-feira, 14 de junho de 2011

UM SÓ SER!























Paulo Carvalho/Renata Beiro
14/06/2011 = 15h40



Tens a pele macia tenra
Pêssego...
O rosto angelical, madrigal
Te quero suavemente, esta noite
Teu canto, teu encanto de sereia
Meus olhos brilham encandeia
Os teus incendeiam
Eu queria de ti, podes crer
A certeza total e absoluta
De me quereres bem...
Eu queria me perder
Na imensidão do firmamento...
Tal qual pássaro que vagueia
Prá encontrar destino...
Cósmica escuridão,
Sendo teus braços e laços,
Jamais voltar, me entregar...
Eu ave, num vôo noturno
Te desfrutar...
Ilícitas delícias...
Te ensinar e me mostrar
Tu és eu, eu sou tu
Somos um!
Um entrelaço de pernas
Cabeças, braços, mãos
No mais "quente" de nós somos UM!
Quero um final feliz
Trôpegos de amar
Trópicos por suar
Intrínsecos
Somos um só
Ser...
Coração e alma
Calmos na relação.

POESIA A QUATRO MÃOS!

Poetar com parceria no computador é o mesmo que tocar piano a quatro mãos! Quase ouço a melodia!!!
Meu parceiro tem sido Paulo Carvalho, grande poeta!


segunda-feira, 13 de junho de 2011

SE PERMITA!


Poesia a quatro mãos: Renata Beiro e Paulo Carvalho



Fiz-me teu
Amei
Permiti
Sorri
Gozei
Acarinhei
Me doei
Quis acertar
Chorei
E...agora?
Esperar
Angustiado
Pelo próximo
Encontro
Carnal
Trivial
Mas, nunca
Banal

FOGO ACESO!





As palavras escorregam do meu cérebro,
Calcando-se suavemente em meus dedos...
Escrevo coisas que não penso, mas que sinto!
Sinto cada toque seu em meu rosto,
E cada beijo seu é mergulhar na escuridão
Que me segura no entremeio do seu abraço...

Seu rosto minhas mãos desencadeiam em mim
Uma sensação de bem estar...
Respiro fundo e tento, não me apressar
Nosso beijo dispara nossos corações
Tentamos nos conter
Mas é mais forte o nosso amor
Nosso fogo, nosso calor...

Ah! Que vontade beijar
aqueles lábios que há pouco beijei
Jogar-me nos braços e abraços
e, num encontro puro e verdadeiro,
entregar-me a ti como gente.
Sentindo no corpo a tua pele nua,
envolvendo-me em sinuosos movimentos
que eu mesma te incito a fazer...
Quero-te como nem imaginas,
Talvez nem mesmo como penso saber...

Arranco com meus destes, suas roupas
Te jogo no chão, faço sexo e não
Amor, nosso sentimento é de fogo
Paixão e coração
Pertos somos pólvora e chama
Fogo incontrolável de paixão.




Poesia a quatro mãos: Renata Beiro e Paulo Carvalho

domingo, 12 de junho de 2011

Depois da bonança...





A calmaria que m'invade a alma
Não é prenúncio de nenhum alento
Eis o ditado que se faz presente
O desconsolo da angústia que me consome

Feito criança, calada e quieta
O turbilhão chegando...
Tempestade se faz assente

Inimiga onipotente
Machucando o mais sensível
Meu eu chora, baixinho, socorro!

Covarde, pisa devagarinho
O que sou, gente
Ente que sente
Carente!!!

Aonde estás que não respondes????


RÊ



sábado, 11 de junho de 2011

Poesias....






Um poema tem de ser mais,
mesmo com bom sentimento,
que espalhar palavras
ao vento!
Não é simples viver,
escrever ou fazer poesia...
E, mesmo assim, eu quero.
Que ironia...
Uma vida arredia,
sentimentos nascendo,
as palavras morrendo,
Terá ficado tardia
A minha vontade
de POESIA...?


RÊ

terça-feira, 7 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eduardo Tornaghi, querido amigo, esta página é sua!




Mexendo e remexendo em vídeos musicais, encontrei meu amigo cantando com Moreira da Silva, fiz-lhe o presente, postei a pérola em seu mural (rendeu um "pergaminho" de elogios ao ator), ato contínuo Tornaghi me diz ser Moreira o seu mestre, acertei na mosca!
Eduardo dá uma aula sobre o Samba de Breque, versos improvisados, da radicalidade do corte - que chega a parar a melodia, para inserir um discurso, tornando Moreira o ícone de um gênero, completado pela imagem do malandro à antiga.
Ao dizer ao amigo que estava aprendendo - quanta generosidade - responde-me "que só se acorda no outro o que ele já aprendeu por ter vivido, daí o "estalo"!
Tudo recheado de "feeling", "savoir fair e être"!!! Muito bom!



sábado, 4 de junho de 2011

Só Poesia...


Dá-me a Tua Mão

Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Assim eu quereria minha última crônica (Fernando Sabino)

Há muitos anos, quando li pela primeira vez esta crônica, chorei, baixinho, disfarçando as lágrimas. Na época, Professora de Língua Portuguesa. Os alunos faziam silenciosamente suas tarefas e eu li, reli, e sempre que volto a este texto, eu...choro,é lindo! RÊ
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A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.

A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: QUE FOSSE PURA COMO ESSE SORRISO.


sábado, 28 de maio de 2011

Atingir Dilma com Lula é atingir Lula por Dilma


Há quase um ano, escrevi aqui no blog algo que me pareceu, desde então, óbvia: se Lula é Dilma, Dilma é Lula.

Não, é obvio, a mesma pessoa, não o mesmo estilo. Mas o mesmo projeto político.

E isso é, ou deveria ser, óvio. Embora muitos se esqueçam.

Disse, em agosto do ano passado, às vésperas do primeiro debate na televisão, que esta deveria ser a primeira regra a ser lembrada no raciocínio e na argumentação.

Este seria o enfrentamento.

Não tenho qualquer razão para modificar esta convicção.

E não creio que nossos adversários da direita pensem diferente.

Deles, disse que “o que vão dizer contra Dilma é o que gostariam de dizer contra Lula e não têm coragem eleitoral de fazer, diante da popularidade do presidente.”

Sei que a Presidenta tem essa compreensão, porque é uma militante experimentada e entende que na política, faz-se como o nosso quero-quero gaúcho: cantam de um lado para desviar a atenção do ninho que está em outra parte do campo.

Duvido que prosperem as intrigas, como a que sai no Estadão, de que Dilma teria ficado agastada com a repercussão dos diálogos que Lula manteve para fazer baixar a temperatura da crise criada com o episódio Palocci.

Não só não está como vai se articular com ele em todas as frentes para repelir esta ofensiva. Sabem que um vira alvo porque o outro é alvo. Porque Dilma é Lula e Lula é Dilma.

E a ajuda que Lula pode prestar a Dilma no campo da política é tão valiosa quanto a que a ele deu Dilma, ao tornar administrativa e ideologicamente mais consistente seu Governo.

E, claro, tem mais liberdade de mover-se no campo da política do que ela, que está presa aos deveres da administração e aos limites que seu cargo impõe à certa explicitude nas palavras.

Por exemplo: poderia ter dito Dilma, com todas as letras, o que disse Lula em conversas com políticos? “Esse Kassab é Serra. Não se iludam!”, não é um balizamento que, embora verdadeiro, possa vir da boca da presidenta. Mas nesta notícia, como em todas outras, um simples exame basta para ver como funciona o jogo de intrigas. O ex-presidente Lula jamais diria que é ingênuo um governo que está sendo atacado justamente na figura de um ministro que foi um dos mais importantes de seu Governo, Antonio Palocci.

A política tem seu tempo de agir. O velho senador Pinheiro Machado, ao enfrentar hostilidades, ordenou ao cocheiro que saísse com o coche dali, mas “nem tão rápido que pareça fuga, nem tão devagar que pareça afronta”.

Estes tempos difíceis serão superados, embora nos agoniem e nos façam perder, por algum tempo, um que outro companheiro de viagem.

Serão, se entendermos, Lula, Dilma e todos nós que Dilma é Lula e Lula é Dilma.

A nós, que enfrentamos o combate eleitoral – como a eles, que o protagonizaram – não há de faltar esta lucidez. A de que não vencemos para, por situações menores, por tudo a perder.


Fonte:http://www.tijolaco.com/

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Índio Guarani morto a pauladas


Neste dia o nosso parente índio Guarani foi morto por golpes repetidos na face por posseiros mandados, e logo, mais um dos nossos jovens índios, que, como frequentemente ocorre, cometeu suicídio, vítima de depressão, desesperança e alcoolismo, porque nossas Aldeias são queimadas para forçar nosso povo Guarani-Kaiowá a saírem de suas terras, para o plantio de soja e agronegócio. Te peço por favor que me ajudem á divulgar isso, pois queremos que chegue às mãos de alguma ONG internacional, ou alguma autoridade ligada á direitos humanos que possa nos ajudar, porque parece ser a única chance de freiarmos isto, uma vez que a máfia que está por trás do genocídio em curso está infiltrada em todos os ramos de órgãos oficiais e entidades, e são poucos os que têm a coragem de falar ou fazer alguma coisa, pois os mafiosos ameaçam e matam sem hesitar. E agora, como se não bastasse, no sábado do dia 23/10/2010 mais um parente indígena Pataxó Hã Hã Hãe José de Jesus Silva (Zé da Gata) de 37 anos, da Aldeia Caramuru Paraguaçu no município de Pau Brasil - Bahia, foi morto por volta das 18h 30min na estrada que liga Pau Brasil a Itaju do Colônia. O assassinato ocorreu no caminho de sua aldeia, Terras Indígenas que foi retomada recentemente, e que faz parte do processo da extensão da Terra Indígena Caramuru.
De: Ronaldo Tadeu Martins Rainha

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Bem que minha mãe falou...

Sou Uma Criança, Não Entendo Nada
Erasmo Carlos
Composição : Erasmo Carlos

Antigamente quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia:
"Ele é uma criança, não entende nada"...

Por dentro eu ria
Satisfeito e mudo
Eu era um homem
E entendia tudo...

Hoje só com meus problemas
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem quando fico sério:
"Ele é um homem e entende tudo"...

Por dentro com
A alma tarantada
Sou uma criança
Não entendo nada...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Lua Cheia deTouro II

Lua Cheia de Touro






Em 17 de maio de 2011, às 08:10 hs, horário de Brasília, foi a Lua Cheia de Touro, quando é realizada a celebração máxima do Budismo, o Festival de Wesak, no vale dos Himalaias, na India, em homenagem a Lord Gautama.

O Sol a 26 graus de Touro e a Lua a 26 de Escorpião. Creio que todos estão sentindo a vibração forte que esta lua cheia representa.

Estas imagens servem para nos conectar com essa energia e para a canalizarmos construtivamente.

Há ciclos no fluxo e refluxo das energias espirituais, com os quais os grupos, tanto quanto os indivíduos, podem conscientemente cooperar. Aproveitem para fazer uma meditação, este é o momento propício.




Fonte: Silvane Barbena

sábado, 14 de maio de 2011

Levantando da queda...???





Diz que a necessidade ensina o sapo a pular, que devagar se vai ao longe, que o melhor da queda é levantar!
Percebo que não caí! Ah! Se tal acontecesse teria visitado o 8 ou o 80!
Sinto a vida terrena como um grande exercício circense: equilibrar-se na finíssima corda bamba de existência, bela visita ao planeta!
Da altura do fio do equilíbrio, vejo os dois lados, um é a sanidade total, é loucura; o outro, é a insanidade completa, é loucura! Aí de mim se cair...
Na real, eu não caí, fiquei pendurada na corda que presentearam ao nascer!
Tivesse caído, já era!
Vejo que apenas ajustei o presente ofertado, de modo que pudesse nele continuar!
Na verdade nunca tombei, minhas mãos agarravam-se ao fio!
Entendi, também, o desenho da vida. É olhar um eletrocardiograma, muito picos e... baixos.
Partirmos, fica uma linha reta! Aí é a morada do equilíbrio, é neste fiozinho, com o sopro da vida, que se vai exercitar no picadeiro o que é viver!
Desejo boa sorte a todas e todos que vivem a mesma experiência que eu!
A humanidade!

Esse é o mundo repleto de mitos, ritos, gritos, conflitos! É tudo estranhamente metafórico e compartilhado numa via de mão dupla, a famosa Route www.

A bientôt, j'espère!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sou eu, hoje







POSTEI EM 12/05, SUMIU DO BLOG!

TRISTEZA!






Estou numa tristeza profunda. Parece febre que não passa, nem um sorriso consigo desenhar!É uma tristeza de falta de esperança. Nunca sentira assim, tão forte. Sou uma mulher que está infinitamente triste!Minha ingenuidade é tamanha que só percebo que caí quanto já estou lá.... E aí a tristeza chega e a esperança se vai!...
Mas tudo passa, nada é para sempre!


(NÃO SEI SE ESTE É FIM DA POESIA, POSTEI NO DIA 11/05,SUMIU DO BLOG, NÃO TINHA ESCRITO NO PAPEL, ESSE NÃO FALHA!)


terça-feira, 10 de maio de 2011

À minha prima, Tânia Jamardo Faillace


Tânia Jamardo Faillace nasceu em 1939, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Jornalista e escritora, entre suas obras registradas na Biblioteca Nacional está o livro Beco da Velha, que é composto de 19 volumes (7.748 páginas), escrito durante 10 anos, sendo, sem dúvida, um sério candidato ao mais extenso livro do mundo. A obra continua inédita. Publicou, além de Fuga e Adão e Eva, os livros de contos O 35º Ano de Inês, Vinde a mim os Pequeninos e Tradição, Família e Outras Estórias e o romance autobiográfico Mário/Vera. Também participou de mais de 20 antologias no Brasil e no exterior.





Fragmento do romance “Beco da Velha”




Parte II – Maria Geneci – aprendizados)


Na Luz Mortiça da Estação


Maria Geneci não foi muito longe naquela primeira viagem. Desceu numa estação rodoviária acanhada, simples ponto de venda de passagens, e perguntou: “donde é que fica esta rua?”

Quantas vezes tornaria a fazer essa pergunta, ora sorrindo, ora impaciente, ora raiva luzindo nos olhos, ora cansaço amortecendo a voz... Naquela noite, começava pura interrogação. Com um pouco de inquietude, talvez, porque nunca dormira fora de casa, e não tinha assimilado o fato de ter ido embora. Tinha ido, mas ainda não sabia o tamanho disso, como uma coisa inteira, completa, para toda a vida.

Assim, teria quase podido explicar: “Sô a fi’a do Venâncio Barros, e vim m’impregá pra num pesá mais em casa, e num percisá me casá”. E domingo, faria o caminho de volta, e levaria presentes da cidade para os irmãos, e visitaria a dona das cabras, como quem saiu e cresceu – e passearia com Alfredo à beira do Jacuí, tão virgem como antes.

Na luz mortiça da estação, Maria alisou mais uma vez o papelzinho para deixar clara a anotação de Alfredo. Os ondulados faziam sombras, talvez por isso, o bilheteiro encolhesse os ombros e nada dissesse. Maria voltou-se para o interior da sala de espera, onde o piso marrom de cimento alisado absorvia os amarelos das duas lâmpadas. E repetiu, para um banco comprido, para alguns pacotes e sacolas trançadas: “donde é que fica esta rua? Esta aqui, ó...” e leu.

Alguém lhe respondeu. Arrastou os pés com chinelos e veio de lá. Fez mais: acompanhou-a até a esquina e apontou-lhe o caminho. Um velho magro, alto, abraçado num embrulho feito em papel jornal, unhas espessas, encardidas de terra.

Maria fez que sim, e foi-se a seu destino.


A Cidade


O primeiro emprego de Maria como doméstica. Sem saber o trivial, sem lavar as mãos antes de servir, batendo as portas, gritando com visitas e fornecedores desde o sobrado, rindo alto e ficando na sala, quando se agradava de uma conversa.

Sua dificuldade em “saber o seu lugar”, em compreender isso, em decorar os horários e o regimento daquela casa, que não era sua, que não devia jamais encarar como sua. Aprender a deitar e a dormir numa cama que lhe cediam, não lhe davam. Descobrir aos poucos, em etapas, o sentido do que disse Alfredo no último dia... “semo pobre”, e o que estava junto.

Maria Geneci conhecendo a palavra “cidade”. Ninguém se pergunta se há um rio mais adiante, se os porcos são melhores que as cabras, se as galinhas já começaram a pôr... Em compensação, as pessoas, as roupas, e, principalmente, os preços das coisas, são muito importantes.

O aturdimento de Maria Geneci durou pouco. Logo percebeu que havia ali um outro mundo real, que era preciso entender para não cair fora. Diferente de antes, diferente de “lá fora”, a cidade não admite ser ignorada: expulsa quem não a conhece, quem não entra em seu jogo.

O dinheiro, por exemplo. Quem pensaria que Maria Geneci se tornaria tão hábil em matéria de preços, compras, trocos, salários, descontos, assim rapidamente? Que o dinheiro pesaria em sua mão como um penhor, um resgate?

É isto o que me mantém viva, diria ela, se tivesse o hábito das frases feitas, ao receber seu salário. De certo modo, concentravam-se ali todos os velhos significados: do primeiro ao último minuto do dia. Cada ação sua era avaliada em centavos, em cruzeiros, era somada ou subtraída a seu valor, conforme servisse à patroa ou a si mesma.

Alisava nota por nota sobre o joelho, calculando o que continham: as lavagens de roupas, de louças, de panelas, os atendimentos de porta, as faxinas, os almoços e as outras refeições, e também uma parte do vestido que pretendia comprar no mês seguinte, quando completasse seu preço. Ou o vestido se permutava com as lavagens e os almoços? Havia qualquer coisa ali, que lhe escapava. Contava e recontava seu salário no rastro de uma idéia obstinada e esquiva.

Quando desistia, deitava-se em sua cama de armar (semelhante à de seus irmãos pequenos), e sonhava um sonho nebuloso, onde entravam bandidos, montes de dinheiro, um rio imenso, parecido a um braço de mar – e já se erguiam montanhas pedregosas, e cascos ágeis trotavam encosta acima, para um cume aberto, ventoso e azul.

Era quando o peito de alguém – dela mesma? – dilatava-se na ânsia de tomar mais ar, de engolir o céu, as cabras, o tesouro dos bandidos, os próprios bandidos... tão grande, tão amplo, que cabiam toda a terra e todo o mar dentro. Porém esse peito era generoso e não os destruía: sugava-os para enriquecê-los, para devolvê-los mais bonitos, mais brilhantes, mais novos.

Na volta, na descida, era uma onda mansa e terna que lavava a praia, redemoinhava nos buracos cavados pelos tatuís.

Maria Geneci distinguia agora o que era fingimento e o que era de verdade. Só que havia fingimentos – quer dizer, coisas que não existiam de ver e apalpar – muito reais.


FONTE: http://www.becodavelha.com/beco%2004%20-%2024%20-%20port.htm

sábado, 7 de maio de 2011

Fragilidade, o teu nome é mulher!



Fragilidade, o teu nome é mulher! Esta exclamação, saída de Shakespeare, bem simboliza o grau de respeito com o qual as mulheres deveriam ser tratadas. Já não é de hoje, porém, que a realidade é outra, como tristemente constatou Montesquieu ao lamentar que “o desrespeito pelas mulheres tem sido constantemente o sinal mais indicativo da corrupção moral”.
É assim que no Brasil, conforme pesquisa da Sociedade de Vitimologia Internacional, 25% das mulheres são vítimas de violência doméstica, e 70% das mulheres assassinadas foram vítimas dos próprios maridos.

Na Suíça, especialistas denunciaram que a violência doméstica é uma ameaça mais séria para a Sociedade do que o crime organizado.

Na Espanha, conforme o jornal El Mundo, a violência contra as mulheres tem gerado mais de 50.000 denúncias a cada ano.

No México, segundo o jornal El Imparcial, “a Pesquisa Nacional sobre Violência contra as Mulheres, realizada pela Secretaria de Saúde, registrou que pelo menos 60% das mulheres têm sido vítimas de algum tipo de violência durante suas vidas por parte do marido ou algum outro membro de suas famílias”.

“A violência doméstica é um problema crescente no Reino Unido, com 830 casos registrados a cada dia”.

Na Índia, conforme registrou o jornal The Times of India, “37% das mulheres casadas são vítimas de violência por parte dos maridos”.

No Irã, uma mulher chegou a ir aos Tribunais pedindo uma ordem judicial que limitasse o número de surras que levava de seu marido.

E aí vai!!!A humanidade quer ir a Marte, mas ainda não consegue conviver civilizamente nem dentro de casa!!!






Pedro Valls Feu Rosa in http://araretamaumamulher.blogspot.com/2010/11/fragilidade-o-teu-nome-e-mulher.html/adaptado por Renata

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mãe!





Mãe, obrigada por ser sua filha!


Minha Mãe

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doida ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filha, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão, que o estudo adormeceu
Tua irmã pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, minha filha, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu.

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.




Fonte: www.releituras.com (c/adaptações)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

DIA DAS MÃES/Falo a minha mãe e a meu filho






O que minha mãe me deu e quero sempre dar a meu filho!




Proteção é te incentivar a avançar e alertar-te para os perigos, ajudar-te a pensar por ti mesmo! É te dar a liberdade para fazeres tuas escolhas! Deixar-te voar, atento aos limites, para que não te percas numa imensidão!
Ah! Mas eles, os limites, se vão abrindo! Mostrando-te novos horizontes, que podem te apontar, conforme trabalhares isso, o caminho para que realize teus sonhos!

Filho, há coisas boas que doem, mas eu vou estar sempre aqui!