quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mãe!





Mãe, obrigada por ser sua filha!


Minha Mãe

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doida ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filha, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão, que o estudo adormeceu
Tua irmã pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, minha filha, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu.

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.




Fonte: www.releituras.com (c/adaptações)

Um comentário:

  1. "... Nina o meu sono cheio de inquietude
    Batendo de levinho no meu braço
    Que estou com muito medo, minha mãe.
    Repousa a luz amiga dos teus olhos
    Nos meus olhos sem luz e sem repouso..."

    Renata... Poetisa "visceral" a quem admiro muito... Lindíssima a tua coletânea!
    Maravilha de filhos... Lindos!! Nos são presentes Divinos... Amores Eternos...!
    Linda esta poesia que, como tudo o que escreves, toca-me profundamente.
    Beijos de Muita PAZ...❤

    Seguindo-a... com muito carinho e respeito ao vosso trabalho... ❤

    ResponderExcluir