sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

MARGARIDA NO ASFALTO


RENATA BEIRO & OTTON BELLUCCO

Em idas e vindas,
vinhas... Vivia ébria
sob a égide do medo,
dos danos, da melancolia...
Eu era flor fustigada
pelo temor da solidão,
pela tua indiferença,
por minha baixa autoestima...
As minhas pétalas
caíam sem proveito...
Minha beleza outonal
desperdiçava-se...,
nada fecundava...
Murchara por dentro
sob tua luz estival...

Vi tuas Marias
Claras, Dianas,
profanas ou não...
Tudo tão exasperante!...
Meus olhos ardiam
pelo pranto eviscerante
do desengano...
Era tormento estar aqui...
Do amor quanta dor!...
Pode ser isso amor?...
Era o medo da solidão
que me tornava presa
de teus enredos...
És terra seca,
agora vejo...

Resolvi gostar de mim;
resolvi não ter medo;
resolvi me achar
nos estilhaços;
refundar a alegria
que joguei fora,
sem perceber...
Sou agora margarida
inflorescente,
não flor melindrosa...
Em cada pétala,
sou flor inteira,
não mais pedaço...
Refaço-me plena outra vez
nas ranhuras de teu asfalto...

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