terça-feira, 21 de janeiro de 2014

SEMEAR...

RENATA BEIRO e VILMA ANDRADE

Pensar
Não quero...
Sentir
Desejo...
Das entranhas
Visceralmente
Perceber
A angústia
Alimenta-se
De sóis...
Manto
Sacrossanto
Em meio
A tantas gentes
Me percebo...
Solidão
Há!
Num universo
Onírico
Povoado
De cores
Sabores
Sons
De silenciosas
Vozes...
Atormentam
Rebentam
Fantasias...
Imagens
De um mundo
Concretado...
Em lentos passos
Engano
Vozes
Vorazes...
Cerro os lábios
Guardo
Murmurantes
Gritos
Quais lágrimas
Vertiginosa
Mentes
Que ao escaldar
Sulcam
Terra
Colhem
Estrelas
Semeando
Rosas
Onde nada
Jamais
Semeado
Seria...


domingo, 19 de janeiro de 2014

VIDA É O QUE É...

Vilma Andrade e Renata Beiro

Vida
Revida
Revivida....
Num salto
Ao alto
Do maior
Prédio
Quiçá
Do mundo
Estendo a mão
Toco em uma estrela
Ao vê-la
Sinto
Vejo
A luz
Reluz
Não me ressinto
Apenas
Pelas naridas
Percebo
Poeira
Cómica
Estelar...
Gratidão
De mãos
E pés
No chão...
Entretanto
E um tanto
És a voz
Que
Abala...
Cala!!
Induz
Conduz...
Nasce
Renasce
Acalmando
A dor
De um amor
Arranca o amor
Do peito meu...
Amor que abrasa
Envolve e revolve
No infinito eu...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

SALVE!!!

RENATA BEIRO

Salve
Santas
E santos...
Salve
o sano
Insano
Salve!
Salvem
Dos enganos
Salve...
Sol
E Lua
Salve!
Salve
A vida
'Inda que curta
Mesmo assim
Salve!
Às Mulheres
Salvem
As crianças
Salvem...
Salve!
Os tombos
Amortizados
Salve!
Customizando
A poeta
Adriane Garcia
Conhece a ti mesm@
E assim
Bem assim
Vais amar
@ próxim@...
Loucura
Cura
Não tem...
Em natural
Êxtase
Sonho
Com anjos!
Salve
Os anjos!
De suas bocas
Não expelem farpas...
Salve!
Celebrar a vida
Com viandantes
Cidadãos(ãs)
Salve!
E salve
O abençoado
Mundo
E o globo ocular...
Salve!




sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

ESPERA...


RENATA BEIRO

Espera
Mói
Dói
desESPERA...
Esperei
Um sinal
Apenas um...
Suave
Fosse...
Sozinha
Mirando
O horizonte...
Que rompe
Esperando
Quiçá
Por quem
Não vem...
Mas amor
Pressa
Não tem...
Sempre
Vestido
De encantos
Encontros...
Espera...
Cicatrizes
Serão
Curadas...
Esperar
Mais
Não pode
Ser...
Sentido
Não faz...
Esperar
Na esperança
É o que
Resta...
Nada mais
A fazer...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

ESTRADA...

RENATA BEIRO

Esquálida
Figura
Insegura
Ria
Percorria
Estrada
Íngreme
Lúgubre
Fria...
Encéfalo
Fálico
Oco
Falido...
*Grão
Feijão
Fujão*
Oh! Rimas
Pobres
Uma figura,
Criatura
Face
Caricata
De si...
Nem sempre
Assim foi...
Viandante
Destino
Incerto
Por certo
É
Seu destino...
E vai
Esvaindo-se
Em sangue...
Tarefa
A cumprir...
Seguindo
Criando
As parcas
Pobres
Rimas...
*Cós
Pós
Nós
Grão
Feijão
Fujão
Tensão
Grão*...
Olhar
Vivo
Seco
Ficou...
Esbugalhados
Olhos
O que restou...

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O MOTIVO DO TEMPO

RENATA BEIRO & OTTON BELLUCCO

O tempo não perdoa,
não devolve nada,
não sente, porra!...
Fora do corpo,
é oco sem alma,
é vácuo sem sentido
à espera das palavras...
É só como metáfora
que o tempo escorre
feito rio de Heráclito,
cujas águas passam
sendo e não sendo nada...
Este tempo não volta atrás...
Quem mente p’ra si mesmo
e subtrai o compasso,
sente logo os percalços
do corpo que lhe contém...

Este tempo não volta, atrai
com clichês, cem lamentos,
com respostas sem questão...
Este tempo não volta, trai
com desculpas, sem perdão...
Este tempo não volta, traz,
sem dádiva, o envelhecimento
não mais como marca do sábio...

Este Moloch dos espíritos,
este agora que devora,
pensa que só ser jovem basta...
E se perde na ignorância
da vida em videoclipes...
Este tempo de indiferença
é feito de medo e ânsia...
É o tempo da pessoa
que vira as costas, sai...
Assim, aqui, o rio foi movido,
por conta de uma metáfora,
p’r’um tempo sem motivo...
E, findo agora, o poema
é onda que solapaa metáfora de tu’alma:
este banco sozinho,
vazio de palavras...

domingo, 25 de agosto de 2013

TEMPO...

RENATA BEIRO

O tempo
Corre
É um rio...
Águas
Que, ora, passam
Não são as mesmas
O tempo
Não volta atrás...
Quem
Ignorante
Mente
Sub
Traí
O compasso
Devolver
Não pode
Não...
Espaço
Inexistente
Resta...
O tempo
Não volta atrás...
Sem lamentos
Sem clichês...
É ato
Sem perdão...
Pois o tempo
Não volta atrás...


(Desconheço autoria da imagem)

sábado, 17 de agosto de 2013

Assim que é...

RENATA BEIRO

Cá
No peito
Há
Um coração
Sem jeito...
A dor
Toma
Literal
Mente
Re
Negada
Por quem
Tanto
Amava...
Renegada
Mente...
Medos...?
Quimeras
Eras...
Nada
Temo,
Em necessidade,
Até remo...
Impedida
Não sou...
Peça
De engrenagem
Desvantagem?
Talvez
Não!
Perdendo
O tudo
Que nada
É...
Cuspida
Fui...
Vou sumir...

sábado, 10 de agosto de 2013

OFÉLIA... OH, FENDE!...

RENATA BEIRO e OTTON BELLUCCO

Lago profundo, imundo, mudo,
covarde, estulto é este mundo...
Entes, não gentes, inclementes,
silenciam perante o absurdo
desta legalidade
que nada representa,
além do status quo,
e desconstitui
o que institui
somente em palavras...
Rapina, propina..., repentinas
acham a brecha jurídica...
O senado, o deputado,
vergonhosamente,
legislam p’ra si próprios
e o nosso opróbio...

Queria sorrir por sorrir,
sem penas, do meu jeito...
Queria... namorar
sem ser agredida,
com um soco,
com um olhar,
com palavras...
Queria somente amar,
infringir sem fingir...
Mas vivo e ressinto
esta lágrima daninha
que me torna culpada...
Uma melancolia me inunda,
e me refunda torturada...
Então durmo, sem ter prumo,
neste lago, afogada...

SÓ ISSO...

RENATA BEIRO

Poço
Fundo
Profundo
Profano
Imundo
Mundo
Mudo...
Entes
Não gentes
Imagina
Acredita
A mente...
Repentina
Mente
Verdades
In verdades
Queria...
Sorrir
Por sorrir!
Sem fingir
Infringir
O que imposto
É!
Eis-me aqui
Tanto vi
Vivi
Li
Escrevi...
E viva
Sinto
Ressinto
Choro...
Lágrima
Teimosa
Rola...
Tristeza
Profunda
Inunda...
Poluí
Mente
Consumindo
Dormindo
Desperta...
Amada
Não sei...
Respeito
Exijo!
E, vejam só,
Peço AMOR!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

ARCA...

RENATA BEIRO

Sincera verdade
Insanidade, trás..
Sonhei...
Os mais belos
De todos os sonhos....
Não percebi...
Que as esperanças
São nossas apenas
De mais ninguém...
No sonho insano
Em terras não minhas
Construí....
Bem aí, eu me perdi...
Teci com imenso amor
E tanto carinho
Qual ave ao fazer
O ninho...
Uma arca
Sedenta de nela pôr
A quem tenho
Em maior amor...
Tempestades
Não previ...
Botes e remos
Que erro!!!
Não construí!!!
Vendo somente
Sol e Lua
Num horizonte
Quente...
Feliz, vibrei...
O turbilhão se fez...
Timoneira de primeira mão
Atônita fiquei...
Como errei...
A nau segura
Não se segura mais...
Sucumbiu
Afundou e depositou
Meus amores, sentimentos
Num mar profundo...
Mergulhei fundo,
Incansavelmente procurei...
Busquei,
Não encontrei...
O sonho não era meu...
Na procura
'inda que escura
À exaustão
Fiquei eu...
Arca, nau
Foi em vão
Ouvi meu coração...
As esperas
Nem sempre são
O que se espera...
Afundou!


(Desconheço autoria da imagem!)




terça-feira, 11 de junho de 2013

ECLIPSE

RENATA BEIRO

Eis que
Num instante
O dia
Fez-se noite
A noite
Encobriu o dia
Encontro
De dois amantes...
Lua e Sol
Eclipse total...
Cósmica cópula
Tingida
Em cinza
Pra seu romance
Esconder
Belo encontro
Ao sofrido casal...
Momento fugaz
De ausências
Sentidas...
Tão belo par...
Feliz estava a Lua
Bem assim, o Sol
Também...
Lágrimas
Chorou...
O tempo
Que tinha
A dor...
O Sol
Em raios
Luzia
E a amada
Até breve, dizia...



quarta-feira, 29 de maio de 2013

PUREZA FORÇADA



 RENATA BEIRO e 
OTTON BELLUCCO

As vidas têm muitas vias,
mas são só uma
em cada corpo...
Por que as julgas
o tempo todo?
Por que finges tal denodo
se tu não te importas,
de verdade, com os outros?
Sempre evocas críticas,
cenários burlescos,
mas vazios de ‘eu’
como antigos arabescos.
Tanto fogo
em tua boca,
tanta perfídia
em teu ventre,
mas há sangue
em tua língua,
estranhamente...
O teu coração bombeia
cercado de espinhos,
repleto de areia,
não sangra,
só queima...
Teimas no júri informal
em que te colocas...
Nele sempre serei réu,
a serpente no paraíso,
o engodo carnal,
a anormal, a ‘galinha’,
mas nunca serviçal
de tua inveja ferina,
de tua pureza forçada,
por recalques, marcada...

domingo, 28 de abril de 2013

INSTA...

(RENATA BEIRO)

A urgência
Do verso
Obverso
O revés
Do verso
Reverso
Emergência é!
Ímpeto
Ímpio
Incauta
Sabedoria...
Dos olhos
A trava
Tirada
Humana
Manada
Calca
E dói...
*Entes
Ausentes
De gentes*
Ignorância
Insana
É ânsia!
De graça
O estado
Não é!
De muletas
É o que é!
Ampulhetas
Quero!
Foi o bem
Proscrito
E o vide bula
Prescrito, não!
Lúcidos
Vocábulos
Balançam
Num vai e vem...
Ruídos
Das conchas
São ondas
Verdes
Trespassam
Redes...
Vejo o mar
E nele
A lua
Entrego-me
À embriaguês
Do sal
Em água
Viciada
Doente
Feito freguês...


(arte: INFAMELUDICO/ *alusão a Flavito Sampa)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Lágrimas...

RENATA BEIRO

Todas essas
Estrelinhas
Que no céu
Estão a brilhar
Não são
Os olhos
Dos anjos
À terra
Querendo mirar...
Todas essas
Estrelinhas
Que no céu
Estão a brilhar
São lágrimas
De bella Luna
Que seu Sol
Amado
Não pode
Olhar...


(Desconheço autoria da imagem/inspiração trazida
de antiga música popular)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Não entendo...

RENATA BEIRO

Não me aposso
Do que não ajuízo...
Não compreendo
O que depreendido não é...
Estranho
Inferir e não deduzir...
Resta-me rir!
Breves instantes
Contida estava
Vi o tosco
Um enrosco...
Vi uma vida
Ó dó!
Imbuída,
Fortuitamente,
Por mentes
Alijadas
Não dizem nada
Mesmice
Oca
Vazia
Cobertos olhos
Em véu
De rudeza e fel...


(Desconheço autoria da imagem)





sábado, 6 de abril de 2013

INSTANTES...

                                       (RENATA BEIRO)

Neste exato instante,
Uma Mulher está sendo espancada
Neste mesmo instante,
Outra, estuprada
Neste momento,
Uma criança, molestada...
Bem agora,
Gente reza a Deus
Outras, a César
Neste exato momento,
Há seres nascendo
Outros, morrendo...
Neste exato momento,
Uma língua glutinosa
Deseja me absorver
Retirar-me
Por simples ganância
Anelo meu,
Esperança...

Arte:  Luis Dourdil

sexta-feira, 29 de março de 2013

MANTO...

                                                      (RENATA BEIRO)

Sacrossanto
Manto
Me cobre
Em espanto
De espanto
Espanto
Tudo
Que santo
Santificado
Seja...
Insana
Talvez
Meu mundo
Por vezes
Mudo
Num vociferar
Silente
Não entende
Nem eu mesma
Compreendo
A santidade
Urgente
No mundo
De tanta gente...


(Escultura by Jorgemiguele©)

terça-feira, 12 de março de 2013

RIO...

RENATA BEIRO

Segue
Sempre
Rio
Curso
Real mente
Sábio
Percorre
Corre...
No mar
Se esvai
Esvazia
Mente...
Inteligente!

(pintura de Claude Monet)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

SECOS OLHOS


RENATA BEIRO

Passam-se umas nas ruas
Outras, comigo...
Quisera poder
Uma lágrima
Verter...
Ressequidos olhos
Não me permitem
Mais sofrer...
Pudera sentir
A dor mais forte
De doer...
Forma ideal
A sofrer...
Sequei
Nem vi...
"Pendentif"
De salgadas gotas
Não me permite
Provar...